Cachoeira

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Trajeto entre Cachoeira e Salvador

Uma igreja. Brasileiros reunidos. Uma cerimônia: o “Te Deum”, um tipo de missa de ação de graças – nesse caso, a graça alcançada era a aclamação do Imperador e declaração de independência. Um tiro de canhoneira. A maioria das pessoas corre em desespero. Outros vão atrás dos agressores. Os portugueses atacam a pequena cidade baiana de Cachoeira, após já terem dominado Salvador.

A intenção é reprimir o sentimento separatista que ali se concentrava e crescia. D. Pedro I já havia declarado a independência, mas os portugueses não iriam ceder a Bahia tão facilmente.  Os brasileiros reagem e, após três dias de luta, abordam a barca que fez os disparos e prendem os portugueses.

Às margens do Rio Paraguaçu, Cachoeira foi a sede da Junta Governativa, assumindo o papel de capital da Bahia enquanto Salvador estivesse ocupada, sendo um dos baluartes  na luta pela independência no começo do século XIX. O local costumava ser uma aldeia de tupinambás, os índios guerreiros, e sua fundação portuguesa é atribuída a Diogo Álvares Correia, o Caramuru, um náufrago português que conviveu com os tupinambás, e cuja história virou filme[1].

Cachoeira nos dias de hoje. Ao fundo, o Rio Paraguaçu

Como aconteceu com várias tribos da época, os tupinambás não aceitaram ser escravos na lavoura, e a vila só floresceu com a chegada dos africanos. A mistura das influências indígenas e africanas até hoje é uma das características de Cachoeira e São Félix, as “cidades-gêmeas”, uma em cada margem do Paraguaçu, ligadas por uma ponte de ferro. Exemplos dessa influência são: a Moqueca de Índio, onde o xaréu (um tipo de bagre) é temperado como se fosse uma moqueca, enrolado na palha de bananeira e assado; e a maniçoba, um tipo de feijoada preparada com folhas de mandioca.

É para Cachoeira que Maria Quitéria se dirige para se alistar no Batalhão dos Periquitos  e lutar pela independência do Brasil sob o comando de Silva Castro, avô do poeta Castro Alves. É na volta de Salvador para Cachoeira que Maria Quitéria e outros soldados abordam um barco português e prendem os marujos. É em Cachoeira que Dom Pedro I é aclamado “defensor perpétuo do Brasil”. Cachoeira, por sua posição estratégica, assumiu um papel vital para a consolidação da independência brasileira.

Todos os anos, no dia 25 de junho, a população sai às ruas da cidade no desfile promovido para relembrar a aclamação do Imperador e o fato de que Cachoeira foi Capital da Bahia por aproximadamente 16 meses.

 


[1] Caramuru: A Invenção do Brasil. ARRAES, Guel. 2001.

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