Madeira de Melo e o Cerco a Salvador

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Câmara de Santo Amaro - essencial para a resistência formada no Recôncavo baiano

A tomada de controle pela força da cidade de Salvador por Madeira de Melo provocou a reação da população baiana contra presença portuguesa. Após os conflitos de março as cidades do Recôncavo passaram a organizar a resistência e incitar, entre os meses de maio e junho, o reconhecimento do Príncipe Regente.

No dia 12 de junho de 1822, foi marcada uma sessão na Praça da Câmara de Salvador, atual praça Tomé de Souza, para a aclamação do Regente, mas a reunião foi proibida e todas as ruas de acesso à praça bloqueadas pelas tropas portuguesas. Assim, no dia 14, realizou-se uma sessão na casa de Câmara e Cadeia da Cidade de Santo Amaro que decidiu por reconhecer a autoridade do Príncipe e conclamou todas as outras cidades do Recôncavo a seguirem seu exemplo.

A Ata do 25 de junho de 1822 pode ser encontrada na Câmara Municipal de Cachoeira

Em 25 de Junho foi a vez da cidade de Cachoeira, reconhecer D Pedro como “Defensor Perpétuo e Constitucional do Brasil”, mas o reconhecimento da maior cidade baiana da época depois da capital não passou despercebida. Após o Te Deum em agradecimento pelo Príncipe Regente, uma canhoneira portuguesa posicionada no rio Paraguassu disparou contra a cidade. Ao mesmo tempo, portugueses escondidos em suas casas atiravam na população. Os baianos reagiram e, depois de três dias a canhoneira foi tomada, e sua tripulação, aprisionada.

Ilustração de Madeira de Melo feita pela equipe dos Heróis do Brasil para animação sobre o 2 de julho.

A retaliação veio com a invasão da Fortaleza de São Lourenço em Itaparica no dia 10 de Julho pelo capitão Joaquim José Teixeira – o Trinta Diabos – sob ordens de Madeira de Melo. Durante a invasão os soldados lusitanos bombardearam a vila de Itaparica e investiram contra a população. Após o ataque, as tropas se retiraram e voltaram a Salvador, o que leva a crer que seu motivo era apenas a repressão a possíveis movimentos nativistas dos itaparicanos.

Forte de São Lourenço na Ilha de Itaparica

A articulação política dos baianos se deu em paralelo ao seu posicionamento militar. No Recôncavo, Senhores de Engenho organizavam e bancavam seus exércitos compostos de voluntários, além de suspender o envio de víveres pelo Paraguassu à capital. No Litoral Norte, o tenente-coronel Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque d’Ávila Pereira, o Coronel Santinho, organizou tropas compostas inclusive por índios e se posicionou em Itapuã. Mais tarde, deslocou-se para a estrada das boiadas, na região de Pirajá, de onde impedia a entrada de alimentos e munições bem como a saída das tropas portuguesas. Na baía de Todos os Santos, a flotilha de João das Botas fazia o patrulhamento, controlando principalmente o tráfego na foz do Rio Paraguassu.

Desta forma, após a chegada de Cochrane e Labatut, a cidade ficou completamente isolada. Este era o ponto fraco da cidade fortificada: Salvador, guarnecida por todas as suas fortalezas se erguia em desafio a qualquer ataque direto, mas sem o apoio do Recôncavo e o controle da baía de Todos os Santos era impossível manter a cidade por muito tempo.

Enfrentado uma crise inflacionária provocada pela carestia, o Comandante de Armas tenta romper o cerco e, em novembro de 1822, atravessar com suas tropas a estrada das boiadas, passando pelo Exército Libertador posicionado na região de Cabrito. Ocorre então a chamada Batalha de Pirajá, que durou aproximadamente 8 horas e terminou com uma vitória, para muitos improvável, das tropas brasileiras.

"O Corneteiro Lopes" (2003) é um curta-metragem de Lázaro Faria sobre a Batalha de Pirajá.

Entre os dias 7 e 9 de janeiro de 1823, os portugueses lançaram um ataque sobre Itaparica com o intuito de tomar a Ilha e romper o cerco, mas foram rechaçados pela população insular.

Após mais esta derrota, Madeira de Melo passou a perder cada vez mais espaço para as tropas brasileiras, que tomaram a ofensiva, aproximando-se cada vez mais da cidade. Desta forma, isolado e enfrentado a fome e revolta provocados pela carestia, o Comandante propôs ao General Lima e Silva um cessar fogo, mas foi informado que seu salvo conduto só seria garantido após a capitulação, não havendo um acordo. Então, na madrugada de 2 de julho, os portugueses abandonam Salvador, sendo perseguidos pela Marinha Nacional, liderada por Cochrane até águas portuguesas, enquanto o Exército Libertador entrava na cidade confirmando o final das lutas pela Independência do Brasil.

 

Bibliografia:

FLEIUSS, Max. Páginas de História. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1924.

 

SILVA, Ignácio Aciolly Cerqueira e. Memórias Históricas, e Políticas de Província da Bahia, Tomos I -II. Salvador: Typographia do Correio Mercantil, 1835.

 

SILVA, Marcelo Renato Siquara. Independência ou morte em Salvador: O cotidiano da capital da Bahia no contexto do processo de independência brasileiro (1821-1823). 2012, 178 f. Dissertação (Mestrado em História), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2012.

 

TAVARES, Luis Henrique Dias. História da Bahia. 10. ed. Salvador; São Paulo: UNESP; Edufba, 2001.

 

______. Independência do Brasil na Bahia. Salvador: Edufba, 2005.

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