Madeira de Melo: emissário da Cortes na Bahia

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Obra de Oscar Pereira da Silva representa deputados reunidos em Lisboa frente a Revolução Portuguesa de 1820

A Oligarquia baiana sempre foi considerada uma das mais conservadoras do país. Para entender isso, basta considerarmos que praticamente a repressão a todos os levantes ocorridos nesta província foi apoiada pelos Senhores de Engenho do Recôncavo. Então o que levaria esta elite conservadora a se levantar contra a metrópole de tal maneira que os Proprietários organizaram exércitos para combater os portugueses?

Quando a Revolução do Porto, em Portugal, eclodiu e tornou-se vitoriosa em 1820, a Bahia apoiou a formação das Cortes[1] e suas reivindicações. Essas relações começaram a se deteriorar quando o Parlamento Português passou a exigir o retorno do Brasil à condição de colônia, o que significaria um duro golpe para a Oligarquia deste lado do Atlântico, pois, além da perda do direito de negociar diretamente com outras nações, sofreria um decréscimo considerável de seu poder político.

Mas o que provocou o acirramento das tensões a ponto de explodir em um conflito armado foram as consequências da indicação do tenente coronel português, Inácio Luis Madeira de Melo, para ocupar a função de Governador das Armas da Bahia em 1822.

O coronel português Inácio Luís Madeira de Melo

Os conflitos na Bahia entre brasileiros e portugueses tiveram início no mês de março de 1822, antes mesmo do “Grito do Ipiranga”. O decreto de posse como Comandante de Armas foi enviado diretamente a Madeira de Melo passando por cima da autoridade da Junta Governativa já estabelecida na Bahia, anteriormente o órgão de governo. Diante desta afronta, o tenente-coronel Manuel Pedro de Freitas, brasileiro, que exercia de forma interina o cargo se recusou a transmitir a função até que fosse formalmente notificado pelo governo, provocando um impasse. A Junta Governativa propôs então um acordo: que ambos os oficiais exercessem o Comando de Armas, tendo cada um o direito de indicar dois membros à sua escolha, porém o acordo não foi aceito.

Retrato de Joana Angélica encontrado dentro do Convento da Lapa em Salvador.

Manuel Pedro de Freitas, juntamente com os soldados brasileiros, aquartelou-se nos fortes da cidade e, no dia 15 de março, Madeira de Melo ordenou que suas tropas retomassem as fortalezas, iniciando um confronto cujo saldo aproximado foi de 300 mortos, dentre eles a Sóror Joana Angélica, que tentara impedir a tomada do convento da Lapa, onde as tropas portuguesas acreditavam haver soldados brasileiros. O confronto provocou também a fuga de boa parte da população para o Recôncavo. O embate durou aproximadamente 18 horas e terminou com a tomada do Forte de São Pedro e a prisão de Manuel Pedro de Freitas.

Foto atual do Forte de São Pedro em Salvador

Ainda no mês de março, no dia 21, durante a procissão dos festejos de São José a população baiana atirou pedras em várias autoridades portuguesas que participavam do cortejo.

Após esses fatos os enfrentamentos só aumentaram com os brasileiros, organizados em milícias, ocupando as cidades do Recôncavo e cercando a cidade de Salvador, onde os portugueses residentes na província foram buscar proteção. Havia começado a guerra…

 

Bibliografia:

FLEIUSS, Max. Páginas de História. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1924.

SILVA, Ignácio Aciolly Cerqueira e. Memórias Históricas, e Políticas de Província da Bahia, Tomos I -II. Salvador: Typographia do Correio Mercantil, 1835.

SILVA, Marcelo Renato Siquara. Independência ou morte em Salvador: O cotidiano da capital da Bahia no contexto do processo de independência brasileiro (1821-1823). 2012, 178 f. Dissertação (Mestrado em História), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2012.

TAVARES, Luis Henrique Dias. História da Bahia. 10. ed. Salvador; São Paulo: UNESP; Edufba, 2001.

______. Independência do Brasil na Bahia. Salvador: Edufba, 2005.



[1] As Cortes representavam o Parlamento Português, formado após a expulsão das tropas de Napoleão do território lusitano.

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