O Cerco

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Homenagem à Joana Angélica encontrada hoje no Convento da Lapa - Av. Joana Angélica, 41, Salvador - BA

Durante 1822, o domínio português se impunha em Salvador. Qualquer sentimento de independência era contido, não na base da conversa, mas na língua das armas. O coronel português Madeira de Melo já havia deixado claro que, se necessário, usaria de força  - basta relembrarmos o mártir da Sóror Joana Angélica, inocente e assassinada defendendo o Convento da Lapa.

Os brasileiros separatistas juntam forças no Recôncavo Baiano, principalmente na vila de Cachoeira, e improvisam batalhões de resistência financiados pelos grandes senhores de engenho do Recôncavo, cansados de pagar tributos a Portugal: forma-se o Exército Libertador. A palavra “exército” traz uma idéia de organização e sofisticação que ainda não existia nas milícias recém nascidas. Desde uniformes até treinamento militar, tudo era improvisado em prol de um objetivo em comum: expulsar as tropas portuguesas de  Salvador.

Retrato do general francês Pedro Labatut

Após a proclamação da Independência do Brasil no Sudeste ao 07 de setembro de 1822, D. Pedro I ordena o envio de reforços do Rio de Janeiro para a Bahia. José Bonifácio é responsável por duas contratações para as forças armadas brasileiras: para comandar o Exército, é chamado o francês Pedro Labatut devido à sua experiência nas batalhas pela Independência da América Espanhola; para a Marinha, vem o almirante inglês Lord Cochrane, veterano das guerras napoleônicas.

Movimentação das tropas de Labatut

Em outubro de 1822, a Armada Imperial (futura Marinha do Brasil), transportando o Exército Brasileiro do general Pedro Labatut, chega à Bahia. Tropas portuguesas aguardam na entrada da Baía de Todos os Santos, preparados para a batalha. Os brasileiros desviam e seguem para o Recife. De lá, rumam para o Sul e tomam Sergipe dos portugueses, estabelecendo contato territorial com os arredores de Salvador, onde se encontrava a resistência do Recôncavo.

 

A esquadra da Armada Imperial, sob comando do inglês Lord Cochrane, chega à Bahia. Os portugueses, mais uma vez, se apresentam para a batalha, mas Cochrane não está lá para lutar, e sim para bloquear a entrada da Baía de Todos os Santos. Os portugueses, já fechados pelo Recôncavo, ficam isolados por via marítima. João das Botas, partindo de Itaparica com uma flotilha de saveiros e barcos de pesca adaptados para a guerra, abre passagem entre o Atlântico e a foz do Rio Paraguaçu e consolida uma ligação marítima entre o Recôncavo Baiano e o Rio de Janeiro. Isso é crucial para o desenrolar da guerra, pois é por esse caminho que entram armas e mantimentos para o Exército Libertador brasileiro, além de alimentos para as tropas concentradas na Ilha de Itaparica e adjacências.

O Exército Libertador entra vitorioso em Salvador em 02 de julho de 1823. Quadro de Presciliano Silva.

As tropas brasileiras, com a ajuda da flotilha de João das Botas, partem de Cachoeira e marcham para a capital, contornando a Baía e chegando a Salvador pela região norte, próximo aonde hoje estão os bairros do subúrbio ferroviário. Em Dias D’Ávila, as tropas comandadas pelo futuro Visconde de Pirajá se encontram com o Exército de Labatut, vindo de Sergipe. Eles unem forças sob o comando de Labatut e cercam Salvador por terra. Completamente enclausurados, os portugueses tentam quebrar o cerco, resultando na famosa Batalha de Pirajá, vencida pelos brasileiros em novembro de 1822. Essa batalha representa a reviravolta da guerra – após a vitória, as tropas brasileiras conseguiram enfraquecer as tropas de Madeira de Melo e gradualmente recuperaram Salvador.

 

 

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