A Cabocla

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Figura da Cabocla pode ser encontrada na Câmara Municipal de Santo Amaro, BA.

Hoje, a cabocla é uma figura de presença garantida no cortejo do 2 de Julho, mas nem sempre foi assim: até 1946, o Caboclo desfilava sozinho pelas ruas de Salvador. O motivo da inserção da Cabocla no cortejo foi um pedido do então Presidente e Comandante de Armas da Província da Bahia, o Tenente José de Souza Soares de Andrea, que considerava o Caboclo, por sua postura agressiva e dominadora, uma humilhação aos portugueses.

A Cabocla foi introduzida com o objetivo de substituir o Caboclo por uma figura mais terna e conciliadora, porém a população recusou a retirada do índio, e as duas imagens saíram no préstito. A população acolheu esta contribuição, incluindo a imagem no Panteão do 2 de Julho e associando a ela várias propriedades, inclusive o poder de realizar promessas. Tornou-se comum o depósito de bilhetes com pedidos nos carros, tanto da Cabocla como do Caboclo, no período em que eles ficam expostos na praça do Campo Grande, entre 2 e 5 de Julho.

Alegoria a Catarina Paraguaçu. Seu semblante sereno traz a ideia de conciliação.

A Cabocla é a representação de Catarina Paraguaçu, uma índia tupinambá que acolheu e casou-se com o português Diogo Álvares Correia, o Caramuru, e que representa a formação do Brasil, agregando, através do parentesco, brasileiros e portugueses.

Da forma como foi concebida, a Cabocla resgata uma figura muito cara ao romantismo nativista, um mito de origem da nação brasileira que valoriza a figura do ameríndio e do europeu na composição da população e exclui a contribuição africana, considerada uma mácula na sociedade brasileira, celebrando assim o ideal de nação da “fina flor” da sociedade.

Entretanto esta imagem extrapolou a proposta de sua origem, tornando-se um símbolo de libertação sob varias conotações. Um exemplo disso é que para comemorar o 13 de maio de 1888, os recém libertados e abolicionistas baianos solicitaram ao Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, responsável na época pela guarda dos Caboclos, o empréstimo das duas imagens para a realização de um cortejo festivo. Após deliberação os membros do Instituto permitiram que apenas a Cabocla desfilasse, temendo que a figura de desafio do Caboclo viesse a provocar conflitos.

Desta forma, a Cabocla foi às ruas para comemorar a Abolição da Escravatura, uma liberdade que não fora conquistada junto com a Independência mas que, ainda assim, é associada aos heróis da liberdade no Panteão do 2 de Julho.

A cabocla no desfile do Dois de Julho em 2012.

Após sua inserção no panteão cívico, a Cabocla integrou-se à tradição e, ainda hoje, sai no seu carro, assim como o Caboclo, e perfaz o trajeto da Lapinha ao Campo Grande como um dos símbolos máximos das comemorações da Independência da Bahia. Se você ainda não foi vale à pena comparecer ao Cortejo em Salvador e assistir a passagem dos Caboclos, símbolos de Libertação do povo brasileiro.

 

 

Bibliografia

 

ALBUQUERQUE, Wlamyra Ribeiro de. Algazarra nas Ruas: comemorações da Independência na Bahia (1889-1923). Campinas: Editora da Unicamp, 1999.

SANTOS. Jocélio Teles dos. O Dono da Terra: o caboclo nos Candomblés da Bahia. Salvador: Sarah Letras, 1995.

TAVARES, Luis Henrique Dias. História da Bahia. 10. ed. Salvador; São Paulo: UNESP; Edufba, 2001.

BAHIA. Secretaria de Cultura. Fundação Pedro Calmon. 2 de Julho: a Bahia na independência nacional. Salvador, 2010.

KRAAY, Hendrik. Definindo nação e Estado: rituais cívicos na Bahia pós – Independência (1823-1850). Revista Topoi, Rio de Janeiro, v. 3, p.63-90, set. 2001.

MARTINEZ, Socorro Targino. 2 de Julho: a festa é história. Salvador: Selo Editorial da Fundação Gregório de Mattos, 2000.

REIS, João José; SILVA, Eduardo. Negociação e Conflito: a resistência negra no Brasil escravista. São Paulo: Companhia da Letras, 1989.

TAVARES, Luis Henrique Dias. Independência do Brasil na Bahia. Salvador: EDUFBA, 2005

 

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Uma resposta a A Cabocla

  1. auxiliadora disse:

    essa historia fas parti da nossa cultura brasileira e africana e e uma historia muito bonita e boa pra se ler
    essa historia e toda nossa principalmenti na bahia

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