Embarcações da Independência

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Até 1822, o Brasil não possuía uma Marinha própria – as guerras de independência serviram também para que o nosso país formasse a sua força marítima. Devido à sua recente formação, a Marinha Brasileira ainda se encontrava bastante desorganizada, e, para solucionar esse problema, o inglês Lord Cochrane foi contratado para comandar a esquadra brasileira, já que ele possuía bastante experiência, tendo lutado inclusive contra as forças napoleônicas. A Armada Imperial Brasileira zarpou do Rio de Janeiro sob o comando de Lord Cochrane em outubro de 1822 com apenas 6 navios: 1 nau capitânea, 1 fragata, 2 corvetas, 1 brigue e 1 brigue-escuna.

Primeira esquadra brasileira

Primeira esquadra brasileira, improvisada com barcos portugueses que ficaram no Brasil

Essa era toda a força naval brasileira no momento da partida, composta de navios portugueses confiscados e reformados e um navio novo financiado com dinheiro pessoal de Dom Pedro. Pouco tempo depois, junta-se a ela mais uma fragata, um reforço considerável, que não ficou pronta a tempo para a partida.

Navios portugueses

Navios portugueses

Para enfrentar essa esquadra, o brigadeiro português Madeira de Melo enviou a seguinte força: 1 nau capitânea, 2 fragatas, 4 corvetas, 1 lugre, 1 brigue e 1 escuna. Os números já começam a favor dos portugueses.

A Armada Imperial vai crescendo conforme o governo de Dom Pedro consegue construir, comprar ou reformar novos navios. Quando começam os combates, a Armada brasileira passa a aprisionar navios portugueses e incorporá-los à esquadra brasileira, mas esta continua em menor quantidade. Os portugueses consolidam uma frota grande na Bahia, já que Salvador era um dos portos mais importantes do Reino Português. Como os barcos lusos também tinham que proteger Salvador, Madeira de Melo sempre enviava uma esquadra maior que a brasileira, mas mantendo barcos “de reserva” no porto. Essa variação no tamanho das esquadras levou a várias “quase batalhas”. As esquadras se encontravam, analisavam a situação e se retiravam sem combates. Essa situação também ocorreu pelo grande contingente de portugueses na recém formada marinha brasileira e estes, apesar de apoiar a Independência do Brasil, resistiam a atacar seus conterrâneos, como Cochrane registrou em seu relatório do primeiro conflito na Baía de Todos os Santos: [...] Os portugueses estacionados no paiol negaram efetivamente a pólvora a nau no meio do inimigo, e soube depois que o fizeram por sentimentos de afeto para com os seus compatriotas.[...]

João das Botas

João das Botas

A esquadra brasileira que mais cresceu foi a “Flotilha Itaparicana”, comandada por João das Botas, um comandante português que lutava pela Independência do Brasil. No início, a Flotilha era composta por um saveiro e seis barcos de pesca adaptados com canhões.

Em outubro de 1822, eram 6 barcos de pesca adaptados com canhões, 1 escuna e 9 baleeiras armadas. A flotilha cresce com as vitórias navais contra os portugueses. Ao mesmo tempo, fazendeiros do Recôncavo mandam construir navios e oferecem à causa da Independência. A chamada “Flotilha Itaparicana” termina sendo responsável pelo domínio das águas da Baía de Todos os Santos e age em conjunto com a Esquadra de Lord Cochrane, posicionada do lado de fora da Baía de modo a impedir a chegada de reforços portugueses a Salvador. No ataque final, as duas forças se juntam para a tomada de Salvador. A Flotilha de João das Botas praticamente não deixou registros escritos. Sabe-se que ao deixar Salvador, a derrotada Esquadra portuguesa tinha 51 navios, e a Armada brasileira, vitoriosa,  por volta de 25.

 

Bibliografia:

TAVARES, Luis Henrique Dias. História da Bahia. 10. ed. Salvador; São Paulo: UNESP; Edufba, 2001.

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Uma resposta a Embarcações da Independência

  1. zaqueu leal disse:

    texto ecelente muito massas

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