Estratégias em alto-mar

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As Independências dos Estados Unidos e do Brasil ocorrem em um intervalo de 50 anos (EUA, 1776; Brasil, 1823) e mudam o modo como se fazia guerra em alto-mar. Um navio “inventado” na Revolução Americana confirma, no Brasil, o nascimento de uma nova estratégia de guerra naval.

Brigue: Tem 2 mastros com mastaréus de gávea e joanete, cruzando vêrgas redondas

Os americanos enfrentam a Marinha Britânica, a maior máquina de guerra da época. Incapazes de vencer pela força, apelam para a velocidade: adaptam um navio francês, a corveta pequena, com uma vela latina, e inventam o brigue, um navio rápido e que navega em qualquer direção, inclusive contra o vento. Com esses barcos, os americanos vencem as forças britânicas.

Quando o Brasil monta a sua Armada Imperial, o brigue está presente.

Almirante Nelson

Almirante Nelson, vencedor da famosa Batalha de Trafalgar em 1805.

Junto com as fragatas, os principais navios de guerra da época, os brigues fizeram da guerra da independência da Bahia um palco de batalhas navais inovadoras. A Esquadra portuguesa mantinha a estratégia “clássica” de guerra no mar: as duas Esquadras “desfilavam” uma em frente à outra trocando tiros e a que saísse desse primeiro roundem melhores condições perseguia os navios isolados da outra. Lord Cochrane, o almirante inglês da Armada Imperial brasileira, usa uma variante dessa estratégia, aprendida na Marinha Inglesa com o Almirante Nelson. A Esquadra brasileira ataca diretamente o navio mais vulnerável da linha inimiga e “quebra” a esquadra adversária em duas. Rompida a linha adversária, obtinha duas vantagens meia frota adversária ficava sem comunicação com a capitânea, e, isolados, tornavam-se presas fáceis; além disso, Cochrane podia atacar os navios adversários pelos “fundos”, menos preparados pela batalha.

Nessa etapa, os brigues, rápidos e versáteis, ganhavam importância. A batalha, até então linear, se espalha por todas as direções e a rapidez e manejabilidade do brigue fazem toda a diferença. A armada brasileira usa essa estratégia no primeiro enfrentamento com os portugueses. e consegue pôr a Armada portuguesa em fuga, mas recua quando os marinheiros portugueses a serviço do Brasil se recusam a perseguir os patrícios.

O impacto moral e a superioridade da nova estratégia foram tão grandes que nunca mais os portugueses enfrentaram uma batalha aberta contra as forças brasileiras.

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