Senhor do Bonfim, o Santo Guerreiro

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“Até aqui, nos ajudou o Senhor”[1]

As tradições ligadas ao Dois de Julho muitas vezes se desdobram para vários aspectos da vida dos baianos, transpassando em muito a limitação do acontecimento histórico.

Igreja de Nosso Senhor do Bonfim em Salvador

Uma dessas heranças culturais diz respeito ao Senhor do Bonfim, figura central de uma das mais tradicionais festas populares da Bahia.

Muitas pessoas acreditam que o Padroeiro da Bahia apoiou os soldados brasileiros na luta contra os portugueses. Durante a Guerra pela Independência do Brasil na Bahia, os portugueses retiraram a imagem do Santo de sua basílica e por isso, na visão dos devotos, o Santo tomou o partido dos brasileiros. O Senhor do Bonfim foi devolvido à igreja após a expulsão das tropas lusitanas. A imagem, que representa Jesus Cristo “venerado na visão de sua morte”[2], foi trazida de Portugal pelo Capitão Theodósio Rodrigues de Faria no ano de 1745 e colocada em seu local definitivo após a construção da Igreja no alto da colina em 1772.

Fitinhas do Senhor do Bonfim

A tradicional lavagem da Igreja remonta ao inicio de 1773, sendo mais tarde reduzida apenas às escadarias. Atualmente a segunda quinta-feira de janeiro é o dia de render graças ao Santo, que na tradição das religiões afro-brasileiras é vinculado a Oxalá. As famosas fitinhas ou medidas do Bonfim vêm de uma tradição do inicio do século XIX, são chamadas de medidas pois possuíam o comprimento exato do braço da imagem.

A polêmica da participação do Senhor do Bonfim na Independência se estendeu ao Hino de homenagem ao Santo. Em 1923, nas comemorações do Centenário do Dois de Julho foram encomendados dois hinos para homenagear o Santo, um pela Irmandade do Senhor do Bonfim ao poeta Egas Moniz Barreto de Aragão, e o outro pela prefeitura de Salvador ao poeta Arthur de Salles, que foi musicado por João Antonio Wanderley.

Jornal comemora o Centenário do Dois de Julho com a manchete "A Heróica Bahia"

Durante o Centenário foram organizados dois cortejos marítimos, uma das poucas vezes em que a imagem saiu de sua Basílica, o primeiro conduziu o Senhor do Bonfim até a Igreja da Conceição da Praia no dia 3 e o segundo o trouxe de volta no dia 7 de julho. O objetivo do Cortejo era utilizar a popularidade do Santo Católico para levar as pessoas às comemorações, mas iniciou-se uma disputa entre a Irmandade do Bonfim e o então Governador José Joaquim Seabra, sobre a saída ou não da imagem e qual a versão do hino seria executada durante o ritual. A Irmandade acabou por ceder à pressão do estado, mas fez sua comemoração no dia 8 onde executou a versão sacra do hino que também faz alusão à formação da nação brasileira: “À sombra do teu madeiro, sob um céu primaveril, Nasce o povo brasileiro, cresce pujante o Brasil”.

O hino cívico tornou-se a canção mais popular e conhecida, sendo inclusive cantado por Caetano Veloso no álbum “Tropicália”. Muitos autores alegam esta popularidade ao fato de que a letra faz uma alusão direta à participação do Senhor do Bonfim nas Batalhas pela Independência: “Glória a ti redentor que há cem anos, nossos pais conduziste à vitória pelos mares e campos baianos.”.

É em casos como este que se percebe a dimensão que a Guerra de Independência do Brasil na Bahia tomou na vida e realidade da população, a ponto de re-significar, através da fé, a luta pela liberdade.



[1] BÍBLIA. I Samuel. Português. Bíblia Sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2007, Cap. 7, vers. 12.

[2]Ver referência 1.

 

BIBLIOGRAFIA

AZEVEDO, Maíra. Hino Oficial do Senhor do Bonfim é pouco conhecido. 2012. Disponível em: http://atarde.uol.com.br/noticias/5798230. Acesso em: 28 out. 2012.

CARVALHO FILHO, José Eduardo Freire de. A Devoção do Senhor J. do Bom-Fim e Sua Historia. Bahia [Salvador]: Typ. de S. Francisco, 1923.

FERRAZ, Brenno. A guerra da independência da Bahia. São Paulo: Monteiro Lobato e Cia, 1923.

LEITE, Geraldo. 117- Egas Moniz Barreto de Aragão (Pethion de Villar). 2011. Disponível em: http://medicosilustresdabahia.blogspot.com.br/2011/01/117-egas-moniz-barreto-de-aragao_28.html. Acesso em: 28 out. 2012.

MATTOSO, Katia M. de Queirós. Bahia Seculo XIX: uma Província no Império. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1992.

TAVARES, Luis Henrique Dias. História da Bahia. 10. ed. Salvador; São Paulo: UNESP; Edufba, 2001.

______. Independência do Brasil na Bahia. Salvador: EDUFBA, 2005.

VEIGA, Manuel. Impressão Musical na Bahia. 2003. Disponível em: http://www.nemus.ufba.br/artigos/imb.htm. Acesso em: 28 out. 2012.

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5 respostas a Senhor do Bonfim, o Santo Guerreiro

  1. ESTOU APAIXONADA PELA CULTURA DA BAHIA….

  2. Kleison disse:

    Tive conhecimento recentemente da História de Nosso Senhor do Bomfim através de uma grande amiga. Ela me disse que eu me apega-se a ele nos momentos de aflição, pois ele me ajudaria. E desde então vivo pronunciando e rezando em nome de Nosso Senhor do Bomfim. Muita paz pata todos.

  3. Kleison disse:

    Tive conhecimento recentemente da História de Nosso Senhor do Bomfim através de uma grande amiga. Ela me disse que eu me apega-se a ele nos momentos de aflição, pois ele me ajudaria. E desde então vivo pronunciando e rezando em nome de Nosso Senhor do Bomfim. Muita paz para todos.

  4. Principe Reniclei de Siusa Lima disse:

    Só uma observação, Senhor do bom fim não é um santo mais é o filho de Deus Nosso Senhor Jesus Cristo, por isso o termo correto de se referir a ele é Santo dos santos e Senhor dos senhores, santo guerreiro é uma termologia errada e new pagã!

  5. José Valdo De Jesus disse:

    O santo senhor do bomfim é porreta de verdade já me ajudou bastante.

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